A Teta Assustada!

Por Thiago Tognozzi

Um tubérculo cresce dentro do ventre da mulher. Um tumor criado pelo sofrimento e medo também evolui, como a batata. Batata e câncer na vagina. Os sentimentos negativos do ser humano confrontam os positivos. A evolução humana de fato existe quando corre junto com a natureza e como ela se renova o tempo inteiro, não permitindo passado ou futuro obscurecer o caminho. As energias primitivas ainda circulam pelos corpos nativos, mas em uma Lima contemporânea parece inviável manter na memória as dores passadas. É preciso mudar, reavaliar. Reinterpretar as lendas e fatos ocorridos. Mudar o jogo com o que há de melhor no pensamento humano, sem deixar de observar e aprender com a natureza que nos cerca e está dentro de nós.

 

“La Teta Assustada” é um filme forte, levado de forma sutil na telona. Fausta assiste sua mãe no leito de morte cantar as desgraças que povoaram sua juventude. Amedrontada pelo mundo criado pela mãe, Fausta enfia uma batata na vagina para se proteger de estupro. Ela acredita que um homem que olhasse aquela vagina, não se atreveria a lhe tocar. Numa paisagem peruana desconcertante, os seres humanos se tornam engraçados, culturalmente pitorescos. Ficam mais estranhos que as infinitas escadarias que cortam morros pelados no meio do bairro de Fausta, interpretada maravilhosamente pela atriz Magali Solier. A fotografia do filme tem muitos momentos de dar água na boca, algo Fellini também nas cenas das festas de casamento.

Para os agitados, o filme não é cansativo. 94 minutos. Talvez você olhe no relógio só uma vez.

 

O que fica na mente depois de ver este filme, é o que o jardineiro disse: a morte é a única coisa na vida que é obrigatória. O resto são nossas escolhas. E, conseqüentemente, os conceitos e barreiras que levamos na cabeça.

 

 

Já para deixar adiantado, logo mais falo da pré-estréia do filme “No seu lugar”, de Eduardo Valente.

 

 

E como o Glauber já disse, tamos aí pela Brazucah no Festival observando o mais loco do hardcore cinematográfico das bandas calientes.

 

 

Fui!

 

 

 

 

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