No meu lugar

Por Thiago Tognozzi

Deve ser curioso para o diretor quando o filme está pronto. Para quem viu todo processo acontecer, todos os anos de mudanças e dúvidas rolar, chegar num festival e ver seu filme na grande tela com o público assistindo, deve ser curioso. As palavras que você escreveu no roteiro, as lembranças das discussões que teve com o diretor de fotografia até chegarem a um consenso, as centenas de rostos de adolescentes, crianças, homens, mulheres, idosos… Imagino que na conclusão de um trabalho cinematográfico, o realizador já esteja com outra idéia muito mais além. Enfim…

Ontem foi o momento de pré-estréia do filme “No meu lugar”, escrito e dirigido pelo brasileiro Eduardo Valente. Digo logo de cara que nos 118 minutos de filme olhei a hora uma vez, por que achei que as cenas de amor e sexo ficaram saturadas pelo tempo e repetição. Mas é só. No mais é um trabalho digno, com qualidade de roteiro e direção. A fotografia é escura, mas agradável. A montagem impõe um ritmo legal na história e nos coloca em suspense.

O filme concluído esse ano, tem um elenco com rostos desconhecidos do público. Mesmo assim são responsáveis por boa parte do brilhantismo deste trabalho. O ator Márcio Vito, que segundo Eduardo Valente, “só faz pequenininhas participações em algumas novelas”, arrebenta em cena como um sargento da polícia, suspenso, que tem uma filha. Boas desenvolturas que cativam o público em cenas melancólicas e outras extremamente engraçadas. A atriz e cineasta Luciana Bezerra também está imperdível – extremamente realista -, assim como seu par em cena, o ator Raphael Sil. “Pelo baixo orçamento, apostamos em testes de elenco e conseguimos rostos desconhecidos e bons atores”, diz Eduardo Valente. Neste longa ele preparou os atores para as filmagens de forma especial. No filme, três histórias acontecem em paralelo. Então, os atores que não contracenam juntos, não sabiam a história dos outros, conseqüentemente nem o desfecho dos acontecimentos. “Ator é um povo estranho, eles assinaram contrato sem saber que filme sairia no final”, brinca o diretor.

Valente trabalha com crítica cinematográfica e já dirigiu três curtas-metragens. Neste primeiro longa, Valente teve, além do diretor de elenco, outras novas preocupações e funções na direção de um longa metragem. O desafio, segundo ele, “é manter-se motivado” porque o processo de criação do filme é longo. Desde 2005, Eduardo Valente trabalha em cima de “No meu lugar”. “Achei o resultado final muito bom, mas não estou com pressa de fazer outro, vou deixar esses trabalhos fluírem naturalmente”, diz o crítico.

 

Pois é, para quem quer ser realizador e fazer um longa metragem, deve entender que o processo de criação é longo. Então, dá uma olhada no seminário sobre “Desenvolvimento de Projetos” que rola na quinta-feira, 9 de julho. Melhor caminho para iniciar sua obra prima é criando um projeto. Vai pro “Anexo dos Congressistas” as novemeia da matina que o seminário vai começar.

 

Eu falo daqui a pouco sobre o debate que rolou na mesa “Cinema da América Latina e Internacionalização”. Porque depois de pronta sua mega obra, nada melhor que distribuí-la mundo afora. Ou não?

 

Ah, e Glauber, infelizmente o Cuarón não veio… mas o encontro foi bom.

 

Enfim, té depois!

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