Qualidade cinematográfica

Por Thiago Tognozzi

No último dia de Festival Latino Americano resolvi conferir alguns curtas universitários no CineSESC. Sessão lotadona! O motivo é que, dos cinco dos filmes exibidos, três eram de alunos da ECA USP. “Romance 38”, de Vinícius C. de Almeida e Vitor Brandt, conta a história de um escritor que busca terminar seu livro. Com uma montagem legal, rola uma história que de clichê não tem nada. A finalização e o roteiro foram bem trabalhados. Das atuações, o que me incomodou foi a falta de carisma do ator que faz o protagonista. Os outros integrantes do elenco conseguem boas interpretações. Boas atuações foi possível encontrar no mexicano “A Canção dos Meninos Mortos”. O filme de David Pablos impressiona com uma poética estranha e sensível ao mesmo tempo, sobre a perda da mãe em uma família. O filme tem um formato surpreendente, que me impactou e me manteve ligado na história até o fim, na busca por desvendar o que afinal acontecia naquela casa, no meio de uma praia deserta e cinza. Se esse for o estilo de filmes de David Pablos, na certa será um realizador com um trabalho peculiar.

Os demais filmes têm um ou outro ponto de destaque, mas não brilham tão forte quanto estes dois. Assistindo a filmes universitários, como os de hoje, e recordando vídeos amadores virais da internet, dá para apostar que futuramente pode existir uma boa safra de filmes. Principalmente quando os talentos se juntarem e começarem a produzir juntos, um complementando as falhas do outro. Por isso, também vale recordar o que foi colocado pela produtora Zita Carvalhosa, que o Brasil ganhou quando fez um cinema um pouco menos autoral, e mais preocupado em ser claro e sedutor com o espectador. As mentes criativas de nosso País cada vez mais surpreendem com suas “produções guerreiras”. Para internacionalizar esta criatividade pulsante, é necessário unir técnica com sensibilidade, bom senso e menos ego. É preciso trabalhar de forma coletiva e com atitude. Experimentar, mas de fato também pensar no espectador. Até então, não sinto que buscar seduzir o espectador contemporâneo, seja algo que diminui artisticamente um filme. É um desafio e neste Festival foram exibidas diversas alternativas. Existe possibilidade de fazer de tudo, mas tem que ser inovador, que aguçar o público e comunicar bem.

 

Ontem, como também não pude conferir a Premiére Mundial de “Quanto dura o Amor?”, do cineasta brasileiro Roberto Moreira, procurei na internet algumas informações sobre o diretor. Numa entrevista concedida ao site “Cinema em Cena”, me chamou atenção que Moreira, em seu primeiro longa metragem “Contra Todos”, nas filmagens, contou apenas com os atores, o captador de áudio e o diretor de fotografia. Mais ninguém formava a equipe nestes momentos. Depois, disse acreditar no poder das pessoas se juntarem já com uma idéia elaborada e filmar. Ando ouvindo muito que filmar com câmeras digitais, atores e um roteiro criativo, dá jogo. Fazer um filme com as próprias forças, sem se preocupar em coletar recursos financeiros que banquem uma equipe. Na internet, sites como o FIZ TV, pagam os produtores de vídeos amadores mais votados pelos internautas. A tecnologia digital barateia recursos que antes eram inimagináveis na mão de um garoto de 15 anos. Roberto Moreira, disse na entrevista, que não sabia por quê, no Brasil, os diretores que fazem longa metragem pela primeira vez, não são tão jovens. Em outros países, os novatos despontam aos 27. Colocando esses pontos frente a frente, nos próximos anos, podemos esperar uma leva de novos nomes na cinematografia nacional, com pegadas mais jovens e diferentes. Alguns vão aparecer pela técnica, outros pela sensibilidade. Haverá mercado pro ruim e também para o bom…

 

No mais, gostaria de agradecer as meninas da Brazucah pela oportunidade de escrever por aqui e à organização do Festival. Aos que lêem, saudações. A gente se vê por aí.

 

Besos!

 

 

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