Rita de Cássia e Rita Cadillac por Lidia Orphão

EueRita

 

No Festival do Rio de 2007, tive a oportunidade de assistir ao filme “Rita Cadillac, a Lady do povo” de Toni Venturi. O filme é uma biografia de um dos maiores ícones da sensualidade no Brasil, a ex-chacrete e dançarina, Rita Cadillac.

Não tenho idade para ter acompanhado de perto sua carreira por completo, mas devido a minha fascinação pela sexualidade e sensualidade brasileiras, expostas através de programas quase que dados como “inocentes e familiares” como o programa do saudoso Chacrinha, ou programas nem tão familiares assim como os filmes de pornochanchadas, posso dizer que tenho algum conhecimento e total fascínio por essa época.

A pornochanchada foi um gênero muito popular, que surgiu no final da década de 60, no período pós-ditadura, ainda para atender a exigências da ditadura, que exigia uma cota de filmes nacionais a serem exibidos por ano nas salas de cinema. Isso rendeu ao cinema a chance de mesclar a comédia e a sexualidade, grande interesse dos brasileiros.

Embora estivessem sempre presentes no imaginário sexual dos brasileiros, as chacretes eram mulheres normais, dançarinas, que compunham um cenário de um programa televisivo e estimulavam a diversão do programa, pois afinal, não neguemos, o Brasil é sexo.

Como Rita sempre chamara atenção por seus atributos naturais, logo ganhou o apelido de Rita Cadillac, o melhor carro da época, caracterizado por uma enorme parte traseira, daí a conexão.

Rita sempre soube separar as duas mulheres que existiam dentro de si, Rita de Cássia e Rita Cadillac, trabalhou duramente para criar sozinha o filho, e aprendeu a lidar e trabalhar muito bem com aquilo de melhor que a vida lhe deu, o corpo. Aprendeu a usar a sensualidade que possuía, os olhos tristes e marcantes, e o corpo bem moldado a passos sensuais de dança e rebolado.

Trabalhou como dançarina, cantora, atriz e dentre estes papéis, ganhou o título de “madrinha dos internos”, devido ao grande número de shows que fez em presídios, dentre eles, o Carandiru. É notória a fantástica capacidade artística que esta grande mulher tem, de mesclar a sensualidade e a diversão e não ficar só nisto. Além disso, ser uma mulher que cria seu filho, netos, e cuida da casa como qualquer outra mulher.

Ontem, tive novamente a oportunidade de assistir ao filme do Toni Venturi, na pré-estreia produzida pela Olhar Imaginário, e tive a oportunidade de dizer a ela o quanto a admirava como mulher, o quanto a via como exemplo de mulher brasileira, guerreira, batalhadora. Foi muito bacana ter tido esta oportunidade de conhecer minha grande ídola, este grande ícone do meu país, esta grande mulher a quem tanto admiro!

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